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Terra
La Coctelera

Http www youtube com watch v fjblibwwhtm

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ODE AO ITABIRANO CARLOS

 

            

 

Poetar mineiramente

Poetar com a simplicidade eloquente

Poetar de pensamento solto

Poetar parindo a ROSA DO POVO.

 

Poetar o estar no mundo

Poetar reverenciando O ADORÁVEL VAGABUNDO

Poetar fazendo verso com o substantivo próprio RAIMUNDO.

 

Poetar AS MÃOS DADAS

Poetar A ROSA E A NÁUSEA

Poetar o quão é funda a angústia

Poetar a consciência de que a vida

                                                       Anda em contínua fuga.

 

Poetar a supernova prematura do leiteiro

Poetar o encontro com as pedras no CAMINHO

Poetar o ensimesmar criativo.

 

Poetar Itabira

Poetar a saudade de uma ERA perdida

Poetar como é BESTA a VIDA.

  

Poetar a perda de identidade

Poetar o amor maduro e a desumanidade

Poetar sutil e de fogo alto é o poetar de CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE!

JESSÉ BARBOSA DE OLIVEIRA

  • http://twitter.com/jessebarbosa27

Á MARGEM DA EQUAÇÃO DA ALEGRIA

 

 

                               

 

Lá fora,

A chuva molha o asfalto;

Aqui --- dentro de meu peito,

A imensurável savana indomável ---

Sinto-me perpétuo amanhecer calcinado.

 

Tenho tantas dúvidas

Pesando sobre meus ombros:

Ah, a mente prefere, entretanto,

O elixir da solar primavera

Á indigesta verdade impressa

Nas dolentes páginas gélidas

Do inexorável inverno-escombro.

 

Quero chegar ao cume

Da montanha dos sonhos:

Pegar seus atóis e espólios

Á mão do arco-íris-estanho,

Convertendo-os em estela de ouro

Ou num esplendoroso sol de titânio.

 

 

 

 

Todavia,

Quando regresso

Desta tão libertária viagem-gerânio,

Novamente me encontro

Aprisionado em nosso cotidiano-escafandro:

 

Aí, então,

Eu me readapto

E me rearranjo,

Esperando que um dia talvez

A nossa consciência

Reduza a pó

O cárcere-verdugo

Da sua Fogueira-Soprano,

Tornando-se --- enfim ---

O eterno, libérrimo, belo,

Etéreo e soberano

Pégasus-Oceano!   

 

JESSÉ BARBOSA DE OLIVEIRA

HEMORRAGIA DA ESPERANÇA

 

 

            

(INSPIRADO PELO FILME BAIXIO DAS BESTAS)             

 

Mulher-coisa

Mulher á venda

Mulher-nada

Mulher com a sua dignidade sangrada

Mulher-carne

Mulher que anda sempre ao largo do direito á privacidade

Mulher alugada á alheia sofreguidão selvagem

Mulher-propriedade

Mulher-objeto

Mulher-sexo

Mulher sujeitada á tirania da demanda

Mulher expulsa do reino da álacre infância

Mulher que ostenta

No âmago do seu corpo

Melancolia, padecimento e o dolente desgosto

Mulher cativa

Mulher-menina

Menina-presa

Menina confinada no cárcere da violência

Menina que encerra

No seu taciturno pranto

Uma vida vazia de sonhos

Menina errante, errática:

Sem horizontes a seguir

Sobre a ponte da sua dura jornada

Menina que tem por horizonte

O sol de uma sina malograda

Menina que tem como guia, ventura e carma

O vitalício caminhar sobre o vácuo da estrada

Feminina, Menina, Mulher, Maná

Manhã, Alvo da Chaga, Comida da Sáfara!

 

 

JESSÉ BARBOSA DE OLIVEIRA

 

 

 

 

ENTRE ALGUM LUGAR(ODE A WALLY SALOMÃO)

 

 

 

Vérvico galopar

Entre o poroso e o hermético:

Sua mente flui, reflui

Pelas alamedas, ribanceiras

Cordilheiras do Clássico,

Do Moderno e pare, assim,

Um Autêntico Contemporâneo

 

 

Fazer Poético

Cosmopolita, Latinoamericano,

Brasileiro, Nordestino, Baiano,

Plenitude do Universo retroagindo-se e se açambarcando!

 

Seu verso cavalga

Pela estrada da reflexiva,

Filosófica, sonora,

Jocosa, prosódica,

Culta, dionisíaca,

Difusa, diáfana,

Ferina, aquática, sábia,

Copiosa, prolífica, ígnea,

Reta,

Obliqua,

Acuidosa,

Expedita,

Gostosa,

Dúctil,

Livre,

Liberta,

Libertina,

Geral Geleia,

Gelatina,

Eclética,

Ladina Metalinguagem.

 

Seu poetar codifica e decodifica

A Metalinguagem.

Seu poetar

Penetra e ejacula a Metalinguagem.

 

Seu poetar

É a Metalinguagem

Que vocifera

Contra a lepra qual acomete e devassa a emoção

E contra o vírus

Da hipocrisia, da miséria, da vácua poetização!

 

 

Seu poetar

É a Metalinguagem

Que afaga, fecunda e soca

A janela da intimidade:

Expondo eloquentes aquarelas

Da introspectiva realidade.

 

Seu poetar

É a Metalinguagem

Que rompe e carcome

O indestrutível cadeado

Das senzalas da Palavra.

 

 

Seu poetar

É a Metalinguagem

Que descabaça

O vapor barato

 

Pois o falo que a aparelha

É verbo nascido

Do ventre do fogo e do aço.

 

Seu poetar

Alimenta-se

Da molécula

Que fabrica

A Metalinguagem:

 

Ele bebe a água da Metalinguagem.

Ele come a carne da Metalinguagem.

Ele assume a pelagem e a identidade da Metalinguagem.

Ele é a própria Metalinguagem, na verdade!

 

JESSÉ BARBOSA DE OLIVEIRA

A NAU DO BARDO ESTÉRIL

 

 

 

Forcejo e reforcejo

Com recalcitrante veemência

O parto de um mero poema:

 

A minha verve, ao contrário,

Quer se manter inerte,

Em coma, inacessível á pena

Deste poeta-náufrago!

 

Penso em solfejar

Hinos que esquartejem

A opressão, a amorosa decepção e o flagelo:

Mas, pelo oceano da mente, me navega a nau do deserto.

 

O pensamento meu --- afinal de contas ---

Hoje não deseja degustar o sol da poesia:

Anseia, a bem da verdade,  ser o mor cemitério das ventanias!

 

JESSÉ BARBOSA DE OLIVEIRA

A LIRA DA HIPOTERMIA

 

 

 

 

A atmosfera fria

Prepondera

No corrente dia,

 

No entanto,

Os pensamentos

Não aderem

Ao império do mármore:

 

A bem da verdade,

São vulcânicos desertos

Do Saara e do Mojave!

 

A atmosfera fria

Prepondera

No corrente dia:

 

Penso nos entes

De antártico

Coração transformando

Mares majestosos

De candura e crisálida

Em infinitas úlceras multiplicadas

Cuja missão é criar bactérias

Quais sepulcralizam a alma.

 

A atmosfera fria

Prepondera

No corrente dia:

 

Não obstante

A brisa malina,

Os condôminos de rua

Deitam ---

Prematuramente ---

Na sepultura

Ao se tornarem

Almoço ou janta

Da nossa venerável

Sociedade fraternal,

Nobre, magnânima, humana!

 

 

 

A atmosfera fria

Prepondera

No corrente dia:

 

A tristeza gélida

Empedra a lareira

Dos solares sentimentos,

Matando os sonhos

E seus rebentos.

 

A atmosfera fria

Prepondera

No corrente dia:

 

Nada perto ou equidistante...

Nada ao longe...

Nada aquém...

Nada além

De hipotérmicos,

Decrépitos

E esqueléticos

Horizontes!

JESSÉ BARBOSA DE OLIVEIRA

 

O TOM MAIOR DO DIVAGAR